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Criado sistema matemático que permite prever conflitos mundiais |
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Publicado por Amílcar Tavares
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Investigadores britânicos afirmam ter chegado a um modelo matemático que permite prever onde no mundo irão ocorrer os próximos conflitos étnicos, num artigo publicado na revista Science desta semana.
Os cientistas do New England Complex Systems Institute (NECSI) e da Universidade de Brandeis afirmam que a sua fórmula pode ser aplicada a muitas áreas e já foi testada em distintos grupos étnicos na Índia e na ex-Jugoslávia, mas não referem especificamente em que pontos do globo irão estalar os próximos conflitos. Os investigadores aplicaram um modelo de formação de padrões globais que diferencia as regiões por culturas e descobriram que áreas de grande mistura étnica com fronteiras mal definidas têm maior predisposição para conflitos. «A nossa pesquisa mostra que a violência ocorre quando, no mesmo território, um grupo étnico é suficientemente grande para impôr normas culturais em espaços públicos, mas não grande o bastante para evitar que essas normas sejam quebradas», disse May Lim, investigador de Brandeis, salientando que isto geralmente ocorre «quando as fronteiras entre os grupos não estão clarificadas». Em resumo, o estudo concluiu que «a separação parcial com limites mal definidos promove o conflito», pelo que fronteiras bem definidas ajudam a prevenir tensões étnicas. O estudo aplica os princípios científicos de formação de padrões - que são usados para descrever, por exemplo, como os produtos químicos se separam por tipo ou fase - ao enorme problema social dos conflitos étnicos. Descobriram que a violência étnica ocorre em determinados padrões previsíveis, tal como acontece com outros comportamentos colectivos nos sistemas complexos físicos, biológicos e sociais. «O conceito da formação de padrões pode ter sido originalmente desenvolvido para compreender sistemas químicos, mas é realmente um modelo científico de comportamentos colectivos, nos quais conseguimos ver aqueles aspectos que controlam o comportamento global», disse o co-autor e presidente do NECSI Yaneer Bar-Yam. «Este estudo dá-nos uma indicação de quais as regiões que podem ter problemas e de como evitar o conflito», disse Bar-Yam, acrescentando que «a pesquisa reflecte uma oportunidade tremenda para que nos dirijamos a uma escala larga de interesses sociais com novas ferramentas científicas». No último século, mais de 100 milhões de pessoas morreram em conflitos violentos, muitas vezes causados por problemas locais entre grupos culturais e étnicos distintos. Diário Digital / Lusa
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